Eduardo Giannetti – A ilusão da alma – Biografia de uma idéia fixa

“ A ilusão conveniente é sorvida de um só gole; a verdade amarga, a conta-gotas.”

“ Os limites e restrições que a vida nos impõe – ou que sabiamente decidimos acatar – são o que muitas vezes nos protege de nós mesmos. A melhor vida para um Casanova, gênio da sedução, não é a melhor vida para um Fernando Pessoa, gênio da criação.”

“ Há silêncios que falam mais alto que qualquer berreiro.”

“ Nada é o que parece. A filosofia atomista adota uma abordagem em que partes explicam o todo – o micro determina o macro. A explicação dos fenômenos do mundo  físico em toda sua diversidade – os humanos e suas ações incluídos – tem causas comuns, a serem encontradas no modo como interagem as partículas mais elementares e simples de que são feitos. A combinação e recombinação dos átomos ( grego atomon: indivisível) – minúsculos e imperceptíveis corpúsculos, dos mais diferentes formatos, tamanhos e estruturas, que se movimentam, juntam-se e repelem-se incessantemente no espaço vazio – é a causa universal dos fenômenos observáveis e de tudo que acontece.”

“ Se eu pudesse escolher livremente aquilo em que acredito, preferiria acreditar que a Terra é o centro do universo, e não uma parte insignificante dele; preferiria acreditar na  existência de alguma forma de providência que zelasse pelos nosso destinos pessoais e coletivos; preferiria acreditar na perenidade da alma após a morte e na recompensa dos justos e na punição dos atrozes; acreditaria que basta crer na minha liberdade de escolha para que ela de fato exista… E não obstante – será preciso dizer? – não creio. – A lista poderia seguir, mas nada acresecentaria. O fato capital é simples: querer acreditar não basta. Há uma fenda que separa aquilo em que se pode acreditar – o domínio do crível – e aquilo que se tem vontade de acreditar, ou seja, aquilo que se acreditaria, com sinceridade, alegria e boa-fé, se fosse possível. Por mais que isso fira o nosso conforto espiritual ou mortifique as pretensões humanas, o desejo de acreditar não pode subjugar o impulso de investigar e descobrir.”

“ A árvore do saber não se prova pelo seu tronco, galhos ou raízes; ela só se dá a conhecer pelos frutos que proporciona.”

“ Beber. Na vitória eu mereço na derrota eu preciso.”

“ Falar de uma vida humana como ela poderia ter sido é tão desprovido de significado real  quanto falar de um peixe ou de um coqueiro como ele poderia ter sido mas não foi. Se o passado não pode ser mudado, foi o que foi, porque o presente e o futuro, o que será, será, seriam tão radicalmente diversos – dóceis e maleáveis à nossa vontade? Só porque calhou de ocuparmos um lugar cirscunstancial no tempo, o agora, e gostamos de nos sentir sócios do devir…”

“ É possível que Epiteto, o escravo e filósofo estoico do século I D.C., estivesse certo ao concluir, ainda que por caminho diverso, que “ quem acusa os outros pelos seus próprios infortúnios revela uma total falta de educação; quem acusa a si próprio mostra que a sua educação já começou; mas quem não acusa a si mesmo nem aos outros revela que a sua educação está completa.” Sim, é possível.”

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