O Monge e o Filósofo – Jean François Revel e Matthieu Ricard

” Com muita frequência, a fascinação pelo “novo”, pelo “diferente”, reflete uma pobreza interior. Incapazes de encontrar a felicidade em nós mesmos, nós a procuramos desesperadamente do lado de fora, em objetos, experiências, maneiras de pensar ou de se comportar cada vez mais estrenhas. Em suma, afastamo-nos da felididade procurando-a onde ela não está.”

“Em vez de aprender a não ter necessidades, nós as multiplicamos.”

” O sofrimento resulta da ignorância. Portanto é a ignorância que preciso dissipar. E a ignorância, em essência, é o apego ao “eu” e à solidez dos fenômenos. Aliviar os sofrimentos imediatos de outrem é um dever, mas não basta: é preciso remediar as causas do próprio sofrimento.”

“Pode-se deter um conflito, uma guerra, mas outros sobreviverão, a menos que o espírito das pessoas se modifique.”

“O Poder, as posses, os prazeres dos sentidos, a fama – podem proporcionar satisfações momentâneas, mas nunca são fontes de satisfação permanente e, cedo ou tarde, se transformam em descontentamento.

” Em uma primeira análise, o budismo conclui que o sofrimento nasce do desejo, do apego, do ódio, do orgulho, da inveja, da falta de discernimento e de todos os fatores mentais que são chamados negativos ou obscurecedores, porque transtornam o espírito e o mergulham num estado de confusão e insegurança.”

” Segundo o budismo, três critérios permitem considerar como válida uma afirmação: a verificação pela experiência direta, a dedução irrefutável, e o testemunho digno de confiança.”

” A fé se torna superstição quando se distancia da razão, ou mais ainda, quando ela se opõe. Mas quando está associada a razão, impede-a de ser um simples jogo intelectual”

” Se define a fé como uma convicção nascida da experência.”

” Como só se pode transformar o mundo transformando a si mesmo, pouco importa ter sempre mais. Um praticante Budista pensa: “Quem sabe contentar-se com o que tem possui um tesouro em suas mãos”. A insatisfação nasce do hábito de considerar necessárias coisas supérfluas. Essa consideração não se aplica somente às riquezas, mas também ao conforto, aos prazeres e  ao saber inútil. A única coisa com a qual nunca se deve estar saciado é com o conhecimento; e o único esforço que nunca se deve julgar suficiente é aquele que se faz pelo progresso espiritual e pela realização do bem de outrem.”

” A busca da sabedoria, da paz interior, frutos de uma visão que evocamos muitas vezes nestas conversas, e que consiste exatamente em desligar-se das paixões e ambições superficiais e em reservar a energia para ambições mais elevadas,  de ordem intelectual, espiritual, estética, filosófica  ou moral, de maneira a tornar as relações com outrem e o funcionamento da vida em comum tão humanas quanto possível.”

” Já dizia Epicuro que cada necessidade satisfeita cria novas necessidades e multiplica o sentimento de frustração.”

‘Enfim, a história do século XX foi a história do desabamento total das utopias sociais. Simplesmente, viu-se que isso não funcionava…. Mas para além desses tristes detalhes, ninguém duvida da idéia  de se poder reconstruir inteiramente uma sociedade para torná-la perfeita foi desqualificade e afogada em sannnnngue pela história do século XX. Então o que resta? A volta à sabedoria, segundo as boas e velhas receitas. Isso explica o atual sucesso dos livros de certos jovens filósofos, os quais, retornando muito modestamente a preceitos de sabedoria prática, conheceram uma audiência considerável, ao passo que esses mesmos livros teriam provocado risadas 40 anos atrás.”

” A sabedoria não repousa sobre nenhuma certeza científica, e a certeza científica não leva a nenhuma sabedoria. No entanto, uma e outra existem, para sempre indispensáveis, para sempre separadas, para sempre complementares.”

Uma resposta para O Monge e o Filósofo – Jean François Revel e Matthieu Ricard

  1. Esse livro está disponível no blog: http://omongeeofilosofo.blogspot.com.br/

    Abraço,

    Fernanda Alves

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