O mal-estar na pós-modernidade Zygmut Baumann

“ Esse mundo cada vez mais exterior lembra de um outro participante do jogo, mais do que o indomável fixador de normas, e o de um árbitro que não admite apelação; e como que um participante de um jogo cujas regras são feitas e refeitas no curso da diputa. A experiência de viver em tal mundo é a experiência de um jogador, e na experiência de jogador não há meio de se falar da necessidade de acidente, determinação de contingência: não há senão os movimentos dos jogadores, a arte de jogar bem com as cartas que se tem habilidade e de fazer o máximo com elas.
A ação humana se torna menos frágil e errática: é o mundo em que ela tenta inscrever-se e pelo qual procura orientar-se que parece ter se tornado mais assim. Como pode alguém viver a sua vida como peregrinação de relicários e santuários são mudados de um lado para o outro, são profanados, tornados sacrossantos e depois novamente ímpios num tempo mais curto que levaria a jornada para alcança-los? Como pode alguém investir numa realização de vida inteira, se os valores hoje são obrigados a se desvalorizar e, amanhã, a se dilatar? Como pode alguém se preparar para uma vocação da vida, se habilidades laboriosamente adquiridas se tornam dívidas um dia depois de se tornarem bens? Quando profissões e empregos desaparecem sem dar notícia e as especialidades de ontém são os atolhos de hoje? E como se pode fixar e separar um lugar no mundo se todos os direitos adquiridos não o são senão até segunda ordem, quando a cláusula de retirada à vontade está escrita em todo contrato de parceria? Quando todo relacionamento não é senão um “simples” relacionamento, isto é um relacionamento sem compromisso e com nenhuma obrigação contraída, e não é senão amor “ confluente”, para durar não mais do que a satisfação que é derivada.”

“ A linha de chegada avança junto com o corredor, e as metas permancem continuamente distantes, enquanto se tenta alcança-las. Muito adiante recoredes continuam a ser quebrados.”

“ A determinação de viver um dia de cada vez, e de retratar a vida diária como uma sucessão de emergências menores, se tornaram os princípios normativos de toda estratégia de vida racional.”

” O “lar”, enquanto na “nostalgia”, não é nenhuma das verdadeiras edificações de tijolo e argamassa, madeira ou pedra. O momento em que a porta é trancada do lado de fora, o lar se torna um sonho. O momento em que a porta é trancada pelo lado de dentro, ele se converte em prisão. O turista adquiriu o gosto pelos espaços mais vastos e, acima de tudo, completamente abertos.”

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